terça-feira, janeiro 16, 2007

Altas horas

Altas vão as horas desta vida, desta viagem, em que tropeço e recomeço são tudo aquilo que se soma e diminui.
Horas de uma vida mágica e canalha ao segundo.
Horas de uma vida que se arrastam umas para junto das outras como que assustadas e miúdas.
De uma vida roída até ao caroço da sua rotina, que nos soterra e empurra, matreira, para lugares que sempre negámos.
Infernos privados que em secreto desejo sempre afastámos de nós.
O peso do mesmo passo, mecânicas vezes repetido à soleira da mesma porta,
o ponto picado,
a continência batida,
matemáticos gestos da esquadria laboral.
Não se vive, nem se morre, antes se sobrevive ao milésimo.
A nossa essência em dispersão, maior, mais veloz, agigantando-se para fora de nós e dos desejos infantis de sermos de novo… livres.
O desejo da real da última libertação que a procura da felicidade encerra.
É aí, nesse sentir, nesse palpitar descompassado da vida que lá fora clama por nós que procuramos de novo ser felizes.
Na procura do calor que nos falta. Voz materna.
É aí, nesse singular momento em que me coloco como para me esvair em choro que sinto a mão etérea e cálida da minha mãe descer sobre a minha testa. Uma e outra vez.
Sinto, então, que a rotina ficou para trás, que sou de novo criança frágil mas que nada me pode ferir.
No espaço dessa lágrima que arisca me atravessa o rosto sou de novo feliz e sinto-me como em voo picado rumo à liberdade.

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